Na noite de sábado (04) o músico Jair Naves, lançou seu novo single “Um Passo Por Vez” com um show na Livraria da Esquina. Entre gritos de raiva, belas melodias e algumas piadas, Jair provou no palco por que tem recebido tanta atenção da crítica e do público desde o lançamento de seu primeiro EP, “Araguari”. O Difusor Sonar falou com o músico sobre seu primeiro disco, influências, o passado, o futuro e a sensação de se apresentar com seu nome de batismo.
DF: Você lançou a pouco tempo o Ep “Araguari” e agora está lançando o single de “Um Passo Por Vez”, com duas faixas. Isso foi planejado ou a idéia surgiu após a boa receptividade do EP?
Jair Naves: Foi acidental. Na verdade essas duas músicas eram registros do que era pra ser um disco mesmo. Só que durante o processo de gravação a gente gravou e viu que não estava funcionando. A gente pretende dar outra cara para o disco, mas essas duas músicas acabaram ficando muito boas. A gente não sabe se vamos aproveitá-las pro disco ou não, então a gente resolveu lançar pra ver o que as pessoas achariam. Agora a gente vai começar a gravação (do disco) de verdade e vamos ver o que vai sair.
DF: O repertório do disco será só de inéditas?
Jair Naves: A intenção é ter só material inédito. Talvez a gente regrave “Silenciosa” porque tem um arranjo diferente com a banda e é uma música que as pessoas conhecem. Mas a minha intenção é a de ter só coisas novas. Eu tenho composto bastante e eu não gosto de ficar revivendo o passado, seja de qual forma for. Tem muita coisa que a gente ainda não mostrou para as pessoas, então eu prefiro lançar um material inédito.
DF: Você sente uma cobrança maior por se apresentar como solista e não com uma banda?
Jair Naves: Sem dúvida nenhuma. Não só os shows, mas tudo o que envolve: lançamentos e tudo mais… Você dá a cara mais a bater e é uma coisa que é difícil. Quando você tem uma banda você tem um ‘nome fantasia’, ‘pessoa jurídica’. Agora é o meu nome ali, se as pessoas não gostam elas falam ‘ah, eu não gosto do fulano de tal…’, e é o nome que está no meu RG, sabe? Mas eu me sinto melhor trabalhando assim. Eu não corro o risco de ser autoritário nem nada, e se por ventura algum músico não puder mais tocar comigo a gente muda. Eu estou muito feliz com a forma que a gente está trabalhando isso. Eu devia ter isso até a mais tempo, na verdade. A minha banda anterior (Ludovic) já era uma carreira solo só que não declarada. Eu fazia as músicas, eu pagava as contas, eu marcava ensaio, marcava show… Agora está mais justo nesse sentido.
DF: Quando sai o primeiro disco?
Jair Naves: Quero lançar no começo do ano que vem, no primeiro trimestre. Era para sair esse ano mas, eu prefiro deixar o tempo passar pra que eu me distancie um pouco dessas músicas e não faça algo com a mesma sonoridade e as mesmas influências. Acho que vai ser melhor lançar no começo do ano que vem, para pegarmos esse final de ano e compor o que falta e ter mais material para escolher.
DF: Você tocou no show de lançamento uma versão de “Lounge Act”, do Nirvana. Quais artistas você costuma fazer versões agora que está em carreira solo?
Jair Naves: A gente toca Nirvana, Maysa, Tiê, Devotos do Ódio, muito Buzzcocks engatilhado, Bikini Kill às vezes… Vou revisitando as coisas que significaram alguma coisa para mim em algum momento da minha vida. O Nirvana foi uma banda que mudou a minha vida e a vida de toda a minha geração. Eu, certamente, só comecei a tocar por causa do Nirvana. Tem várias bandas punk que eu conheci através do Nirvana. É meio heresia, porque é uma coisa tão fácil de tocar, tão clássica e tão intocável que eu me sinto muito bem tocando. Mas só quando a gente sente que é necessário. Hoje a gente achou que seria legal tocá-la.


